“Please don’t make this harder.”

23 jul

Quando eu era pequena tudo que eu fazia era esperar. Eu esperava que minha vida acontecesse. Achava que, em determinada idade, as coisas simplesmente aconteceriam. Era como se eu acreditasse em mágica, isso é que dá crescer assistindo a tantos filmes Disney. O prolema é que, a medida que fui crescendo, comecei a me perguntar “Quando é que o filme da minha vida começa?”.É, eu esperei demais a minha vida começar. Tarde demais eu descobri que já estava vivendo e que, infelizmente, aquele filme não era interessante.

É estranho quando se é criança e alguém te pergunta “O que você quer ser quando crescer?”. Eu me imaginava como uma pessoa completamente diferente, eu achava que mudaria de personalidade ou alguma coisa assim. Nunca pensei muito sobre profissões, respondia coisas como “vou ser médica” ou “quero ser professora”, mas na verdade eu respondia isso porque todo mundo esperava que eu falasse uma profissão.

Mas na minha cabeça eu sempre me imaginei casada e com filhos, uma vida parecida com a da minha mãe quando eu estava com 6 anos. E quando me imaginava mais nova, tipo quando eu tivesse 15 anos, me imaginava linda, feliz e espontânea. Eu sempre imaginava a seguinte cena: eu com meus longos cabelos cacheados, de calça jeans e mini blusa (eu usava quando pequena, mas nunca usaria agora), encostada em uma picape com uma turma enorme de amigos, após ter viajado quilômetros até a praia pra ver o entardecer.

E é justamente nesses momentos que a gente se engana. Sim, eu comecei a me iludir quando era criança, planejei coisas que nunca aconteceram. Na realidade, quando eu tinha 15 anos eu não era nada bonita. Não era nada feliz, estudava numa escola que eu odiava. E em hipótese alguma eu conseguia ser espontânea, até hoje raras vezes eu consigo. Quanto ao que eu vou ser quando estiver mais velha, eu não faço idéia mais. Sei que qualquer plano que eu faça, vai sair de um jeito completamente diferente, então não posso me dar ao luxo de me frustrar novamente.

Eu odeio o modo como as coisas nunca funcionam do jeito que você espera, porque eu perco tempo tentando analisá-las. Mas não adianta, a vida só te mostra que tudo que você sabe é completamente errado. E parece que quando você tenta fazer as coisas de um jeito certo todos vão contra você. Eu odeio o modo como as pessoas apontam os seus defeitos na sua cara e te dizem “você não é espontânea como fulana”. Eu odeio como coisas simples se tornam complicadas e como as pessoas são complicadas.

Ás vezes as pessoas me olham como se eu não tivesse problemas reais, como se eu fosse boba ou alguma coisa do tipo. “Sua família é perfeita, seus pais te amam”, sei disso! E não estou menosprezando nem nada, mas minha vida não se resume a minha família, eles não podem estar sempre comigo, não tomam decisões por mim, não vivem por mim. E justamente nos momentos mais difíceis da sua vida, quando você precisa desenterrar a sua coragem e prosseguir é que você vê o quanto se encontra sozinha. Não existe ninguém que possa fazer aquilo por você. O mínimo que seus pais ou amigos ou quem quer que seja pode fazer é  dizer “Boa sorte” antes de você ir e “Eu sinto muito” quando você voltar.

O tempo todo você está com você. Na minha agenda tem uma frase que diz “Não importa onde você vá, você sempre vai estar lá”. É verdade, não há como escapar de você ou pedir divórcio de você. Seus erros, suas escolhas, seus medos, suas inseguranças…Estão em todo lugar. Acho que é por isso que nos sentimos tão sozinhos, é muito peso pra levar, muita coisa pra dar conta.

Eu me lembro de uma vez quando eu era criança ter dito ao meu pai que o mundo tinha gente demais, que se só existisse uma pessoa no mundo, ela seria totalmente feliz. Meu pai só olhou pra mim com uma cara enigmática e disse “Será que seria mesmo?”. Eu fiquei pensando naquilo depois e descobri que a pessoa morreria de solidão. Agora, depois de muitos anos, tenho uma idéia diferente: o ideal não seria existir uma só pessoa no mundo, o ideal seria não existir nenhuma.

What ever happened? – The Strokes

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2 Respostas to ““Please don’t make this harder.””

  1. Fábio quarta-feira, 12 janeiro às 14:12 #

    Oi, Jéssica! Seus textos reúnem uma sensibilidade apaixonante e realmente inspiram filosofia… Gosto muito da maneira como você toca as aflições humanas, recorrendo às experiências da infância, às reflexões da mente ingênua frente ao mundo desconhecido, perverso e caótico, à noção instável das instituições sociais, o “eu-e-somente-eu”, submerso num oceano de angústia calada. Ah… o tempero mórbido do não se aceitar no espaço-tempo em que se vê (ou que se supõe ver), de relutar em se julgar energia pulsante, de beleza complexa (o que me deixa um pouco triste, porque jamais eu a vi como espírito menor do que toda essa grandiosidade que, de fato, se exibe de seu interior). Essa foi uma de suas melhores postagens… Conheça-se, Jéssica… Busque sua verdade e sua felicidade: Elas caminham paralelas, são basicamente uma só coisa. Adoro você demais!

    OBS.: KKK… A parte da picape lembrou-me de Crepúsculo… Bella versão brasileira…

    • Jéssica quinta-feira, 13 janeiro às 1:00 #

      Muito obrigada Fábio! Puxa, que análise você fez de mim hein? Acho que você deveria ser meu psicólogo..rsrs

      Bella versão brasileira foi muuuito paia…kkkk

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