Arquivo | Pensamentos indefinidos RSS feed for this section

“A cena se repete, a cena se inverte”

13 jan

Há poucos dias começou um ano novinho em folha. 2011 ainda é novidade, é como um corte de cabelo novo, uma cor de esmalte diferente, uma roupa que você ganhou e achou bacana, mas tudo que vai sendo muito usado acaba perdendo o brilho. E o destino de 2011 vai ser se juntar ao restante dos outros anos no passado remoto. Porém, enquanto o ano ainda é recém-nascido, sem discernimento ou maldade, eu aproveito pra tirar férias. Não estou de férias somente da faculdade, aproveitei a chance pra me dar um tempo de mim mesma, parar de ser tão egocêntrica, se é que isso é possível. Tirei férias de algumas pessoas também, pois toda convivência, por mais agradável que seja, exije uma dose dupla de esforço e dedicação.

Tenho desperdiçado meu tempo (ultimamente sem muito valor) dormindo, assistindo coisas inúteis na televisão, fazendo exercícios físicos (é, eu sei o quanto isso é estranho) e lendo peças teatrais do século XIX. Tudo isso tem ajudado um pouco, quero dizer, tem me feito pensar um pouco menos, pois como já relatei aqui, sou uma pessoa que pensa excessivamente.

Não encontro muito inspiração para escrever aqui, nem no meu diário. Até mesmo conversar com as pessoas tem sido algo complicado, eu não tenho absolutamente nada novo para contar e, de certa forma, me sinto feliz com isso. A verdade é que não sei de nada, descobri que não sei absolutamente nada a respeito da vida, das pessoas e do mundo. Lamento ter perdido tanto tempo tentanto entender todas as coisas, tentando explicar o funcionamento delas. Algumas coisas simplesmente se definem como confusas e, a partir daí, não se deve especular muito sobre elas.

Percebo uma forte tendência a generalização das coisas. As pessoas (me incluo na categoria) não sabem lidar com as diferenças e individualidades, portanto resta-lhes generalizar tudo, como forma de simplificar as situações. Não acho que eu seja uma pessoa simples, nem quero que me simplifiquem, mas receio já ter simplificado demais alguns conceitos. Ao mesmo tempo que destrincho e complico algumas coisas, simplifico demais outras. Mas receio que isso seja um erro muito comum e, provavelmente, inevitável.

Não prometo me livrar dos meus erros em 2011. Na verdade eu não prometo nada, não prometi nada até agora. Desde criança, no momento da contagem regressiva na virada do ano, eu fazia um pedido, expremia o desejo do que eu queria para o ano seguinte. Mas pra esse ano eu não pedi nada, na verdade nem me lembrei de pedir. Na hora da contagem regressiva eu só contei e depois ri muito. Talvez tenha sido melhor assim, sem muitas expectativas.

Por agora, isso é tudo que eu tenho. Como disse, minha mente também anda de férias…

O anjo mais velho – O Teatro Mágico

Anúncios

“I don’t know where we are going now”

25 jul

Descobri uma coisa legal esses dias: canecas são copos que têm um lugar pra segurar. Isso não é o máximo? Deveríamos usar canecas pra beber todo tipo de coisa, não só coisas quentes. O que eu quero dizer é que não é legal um copo que tem um lugar pra você segurar? Se existem canecas porque nós usamos copos? Eu realmente estou gostando de canecas agora.

Tá, eu não sei porque estou falando disso. Talvez pra tentar ignorar o que eu realmente vim aqui pra escrever. A verdade é que estou pensando em coisas bem diferentes…

É que as coisas são feitas de alguma coisa. Tudo é composto por algum tipo de material e andei pensando se os sentimentos também são compostos de alguma coisa. Por exemplo, existem sentimentos que são frágeis como vidro, e que quando se quebram te cortam como mil pedacinhos afiados. Existem sentimentos que são duros como ferro, e que quanto mais martelam na sua cabeça, mais dói. Outros são tão simples que parecem ser feitos de ar, mas com mesma facilidade que entram em seus pulmões, saem deles rápido demais.

Acho que a maior parte do que eu sinto é feita de vidro. É por tão pouco que me decepciono, que me frustro e me deprimo…É o mesmo que acontece com uma jarra que, por apenas trincar, acaba em pedaços. Mas antes vidro do que ferro, geralmente os sentimentos de vidro só machucam a você mesmo, enquanto que os de ferro acabam por acertar os outros. E nem sempre aqueles que são acertados são os que merecem.

Já chorei pelos meus sentimentos de vidro, que me cortaram profundamente. Já chorei muito por ter sentimentos de ferro, que além de duros eram frios, e me arrependi de ter magoado pessoas com eles. E, por incrível que pareça, já chorei por sentimentos de ar, mas chorei por eles terem acabado tão depressa.

Acho que a felicidade é feita de ar, assim como o amor. A felicidade é calma como a brisa, e infelizmente passa tão rápido quanto ela. Ser feliz de verdade deve ser bom como respirar. Aconchegante como descansar depois de muito esforço. Deve ser aliviante como sorrir, sem gargalhar…Só sorrir.

Dakota- Stereophonics

“But I still haven’t found what I’m looking for”

14 jul

Nunca fui boa em procurar coisas. Desde pequena. E eu quase nunca consigo encontrar, pra falar a verdade, eu sempre desisto. Procurar parece ser uma das ações mais cansativas do mundo, chega a ser exaustivo.

Segundo o dicionário:

“procurar (pro-cu-rar) v.t.

Diligenciar por encontrar, afadigar-se por descobrir: procurar alguém na multidão.

Tentar conseguir: procurar socorro; procurar uma saída honrosa.

Ser atraído por: o ferro procura o ímã.

Procurar uma pessoa, ir vê-la, ir ter com ela, visitá-la: não procura os irmãos há muito tempo.

Procurar agulha em palheiro, tentar encontrar algo extremamente difícil de achar.”

Sim, eu sei até o próprio dicionário desanima. Mas a descrição é perfeita, procurar é exatamente assim. E parece que toda a vida estamos destinados a procurar. O problema é que eu não sei se também estamos destinados a nunca encontrar aquilo que buscamos.

E o que nós buscamos? É uma ótima pergunta. Eu pensei em dizer paz, mas nem todos buscam isso. Então chego a conclusão de que a procura mais incessante de todos nós é pela felicidade. E até onde eu saiba, ninguém nunca a encontrou por mais de cinco minutos.

Pelo menos é assim que eu vejo. Você quer uma coisa, luta por ela durante muito tempo, mas quando a consegue a felicidade só dura um instante. Foi dessa forma quando eu consegui coisas que eu queria muito, aquela sensação perfeita de que você tem o que quer só dura cinco minutos. Depois disso seu cérebro já começa a distorcer tudo e a inserir pensamentos totalmente destoantes na sua mente.

Então eu penso naquela velha história de que talvez estejamos procurando a felicidade do jeito errado. É, talvez seja isso. Ou talvez não. Whatever. Enquanto isso estamos todos no mesmo caminho: procurando coisas. Coisas que na maioria das vezes não querem serem encontradas, coisas que parecem se esconder cada vez mais. E quanto mais você procura, mais elas se escondem.

Acho que a vida é assim. Uma imensa busca pelo que a gente nem sabe ao certo o que é. E que escolha temos? Só podemos continuar procurando.

But I still haven’t found what I’m looking for – U2



“Pra se perder no abismo que é pensar e sentir”

24 maio

Hoje cheguei em casa com uma vontade desesperada de comer doce. Mas como era de se esperar não tinha nada em casa que pudesse saciar a minha sede por glicose. Só encontrei um último biscoito de morango no pacote. Foi realmente deprimente. Mas a questão é : porque comer doce parece amenizar o amargo em nossas vidas?

Eu sei, é complicado responder isso. Mas acho que é uma questão de querer contrabalancear. Não, não estou falando de contrabalancear doce e amargo, mas de contrabalancear uma coisa ruim com uma coisa que te deixa feliz. É como buscar um momento de felicidade, como procurar no doce uma coisa que você não encontra na sua vida. É um simples mecanismo de recompensa, você pensa “Ah, hoje estou triste. Mereço um doce.”, é como consolar a si mesmo. E nós fazemos isso não só com comida, mas com várias outras coisas, é um hábito que vicia.

Analisando agora os motivos da minha busca por açúcar, estive pensando: porque as coisas precisam ser construídas sendo que vão ser desconstruídas depois? Acho que é uma coisa a se pensar. Tudo estraga, se desgasta. Tudo tem um prazo de validade. Droga, as coisas tinham que durar mais tempo.

Até o nosso planeta tem um prazo de validade, o sol e até mesmo o universo. Sim, existe uma teoria de que o universo é finito e que um dia a sua velocidade de expansão vai se tornar nula, fazendo com que ele comece a se contrair até sofrer uma implosão, como um “Big Bang” ao contrário. Pois é, eu sei, é meio chocante isso.

Assim, tudo um dia acaba. É como nossa própria vida: nascemos, crescemos, estudamos, nos matamos de estudar, trabalhamos, nos matamos de trabalhar, trabalhamos mais um pouco, ganhamos uma quantidade de dinheiro que nunca julgaremos ser suficiente, compramos variedades de produtos que também nunca vão parecer suficientes, talvez tenhamos filhos e faremos o possível para dar a eles coisas que eles nunca vão achar suficientes, envelhecemos achando que nossa vida não suficientemente boa e depois morremos.

Tudo construído em vão. Tempo desperdiçado. O universo não para por nós, ele não precisa de nós pra continuar. Li isso em algum lugar…É exatamente isso: a natureza não para por nós, nada depende da nossa existência. É como viver sem sentido. Não existe finalidade para nós. Aprender? Sim, mas é tão complicado aprender quando se tem que modificar a si mesmo…

Sentimental – Los Hermanos

Whatsername

16 maio

Anakina é um nome que criei quando eu tinha uns 12 anos. Meu nome é muito comum, em todo lugar que vou sempre tem alguém com o mesmo nome que eu e, em certa fase da vida, eu fiquei meio chateada com isso.

Na escola quando o professor fazia lista de chamada era sempre a mesma coisa: mil e uma “Jéssicas”. Daí os professores inventavam aquelas denominações do tipo “Jéssica morena”. Aff. Ou me chamavam pelo meu segundo nome “Patrícia”, aí vc perde sua identidade sabe, existe a “Jéssica” que é a primeira Jéssica da ordem alfabética e você é a “Patrícia”. Mas na maioria das vezes eu era chamada de “Jéssica Patrícia”.

Não que eu não goste do meu nome, eu gosto sim. Acontece que quando me chamam de “Jéssica Patrícia” eu me lembro dessa coisa escolar, além de me parecer uma coisa excessivamente formal.

Ao menos minhas amigas me chamam somente de “Jéssica”. Quer dizer, elas costumam chamar quando não estão me chamando de “Jess” ou “Jé”. Já na faculdade tem um colega que me chama de “Dimenor” por eu ter 17 anos e ser, segundo ele, “uma pirralha na faculdade”. E é claro que “Dimenor” tem os seus derivados como “Dima”.

Em casa meu apelido é “Leli”. Segundo a lenda, minha irmã me deu esse apelido quando eu nasci, ela tinha três anos de idade. E então ficou o apelido, que deu origem a muitos derivados, incluindo diminutivos.

A questão é que sempre inventam alguma coisa pra você. Sempre te chamam como querem. Não que isso seja ruim, às vezes é até engraçado. Mas aos meus 12 anos, em plena crise de identidade, eu quis criar um nome pra mim. Aí surgiu “Anakina” que, na verdade, eu nem sei de onde veio. Eu sempre associo como uma influência de Star Wars, uma coisa vinda de “Anakin Skywalker”, mas eu não sei se isso é verdade ou se foi uma desculpa que eu inventei depois.

Dizem que todo geminiano tem dupla personalidade, que é como se fossem duas pessoas diferentes dentro de um mesmo corpo. Então eu passei a associar isso com “Jéssica” e “Anakina”, separei-as e atribuí a cada uma traços divergentes da minha personalidade. Persisti nisso durante um bom tempo, mas depois descobri que era bobagem, que as duas precisavam ter uma integridade, que eu não podia ser uma em um dia e outra em outro.

Então sou a “Jéssica”, mas a sombra da “Anakina” está sempre por aí. Por isso o endereço do blog é com esse nome. Porque é um nome incomum, eu não poderia colocar “jessica.wordpress.com”. rsrs. E seria bem tosco também.

Tá, eu sei que parece coisa de gente perturbada. Mas o que eu posso fazer né? rsrs. E isso é só o começo.

Whatsername – Green Day