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“E eu que já não sou assim muito de ganhar…”

11 dez

2010? Você quer mesmo saber como foi? Eu respondo: uma merda. Quer saber dos fatos mais interessantes? Um pé na bunda, um chifre…Coisas muito agradáveis de serem vividas. Realmente é muito bom quando seu pseudonamorado vai pra micareta colocar um chapéu de boi na sua linda cabecinha e você descobri vinte dias depois (ainda bem que eu já tinha terminado com ele antes mesmo).

Claro, claro, vão me dizer que experiências tem que ser vividas, que a gente tem muito a aprender com essas coisas, que a gente tem de estar preparada para as decepções da vida. Blá blá blá, f*dam-se todos. Ok, até aprendi algumas coisas. Mas o que se aprende com as decepções é a suportar melhor as futuras decepções, não a evitá-las. Aii vida…Estamos todos fadados ao sofrimento. É sofrer vivendo ou morrer.

E então eu estava aqui recordando esses lindos momentos de minha vida e resolvo olhar meu horóscopo do ano que vem na esperança que me dissessem que eu iria ganhar um ano cheinho de felicidade, dinheiro e amor. Maaaaaaaaas nãoooooo! Até o horóscopo tem que me detonar! Está escrito que esse ano é para eu ser introspectiva, investigadora e sábia. Só tenho uma coisa a dizer: P*TA QUE PARIU! O que eu mais faço nessa minha vida é pensar…

Ai ai, chega. Ninguém merece mais ficar me vendo reclamar.

O vencedor – Los Hermanos

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“Please don’t make this harder.”

23 jul

Quando eu era pequena tudo que eu fazia era esperar. Eu esperava que minha vida acontecesse. Achava que, em determinada idade, as coisas simplesmente aconteceriam. Era como se eu acreditasse em mágica, isso é que dá crescer assistindo a tantos filmes Disney. O prolema é que, a medida que fui crescendo, comecei a me perguntar “Quando é que o filme da minha vida começa?”.É, eu esperei demais a minha vida começar. Tarde demais eu descobri que já estava vivendo e que, infelizmente, aquele filme não era interessante.

É estranho quando se é criança e alguém te pergunta “O que você quer ser quando crescer?”. Eu me imaginava como uma pessoa completamente diferente, eu achava que mudaria de personalidade ou alguma coisa assim. Nunca pensei muito sobre profissões, respondia coisas como “vou ser médica” ou “quero ser professora”, mas na verdade eu respondia isso porque todo mundo esperava que eu falasse uma profissão.

Mas na minha cabeça eu sempre me imaginei casada e com filhos, uma vida parecida com a da minha mãe quando eu estava com 6 anos. E quando me imaginava mais nova, tipo quando eu tivesse 15 anos, me imaginava linda, feliz e espontânea. Eu sempre imaginava a seguinte cena: eu com meus longos cabelos cacheados, de calça jeans e mini blusa (eu usava quando pequena, mas nunca usaria agora), encostada em uma picape com uma turma enorme de amigos, após ter viajado quilômetros até a praia pra ver o entardecer.

E é justamente nesses momentos que a gente se engana. Sim, eu comecei a me iludir quando era criança, planejei coisas que nunca aconteceram. Na realidade, quando eu tinha 15 anos eu não era nada bonita. Não era nada feliz, estudava numa escola que eu odiava. E em hipótese alguma eu conseguia ser espontânea, até hoje raras vezes eu consigo. Quanto ao que eu vou ser quando estiver mais velha, eu não faço idéia mais. Sei que qualquer plano que eu faça, vai sair de um jeito completamente diferente, então não posso me dar ao luxo de me frustrar novamente.

Eu odeio o modo como as coisas nunca funcionam do jeito que você espera, porque eu perco tempo tentando analisá-las. Mas não adianta, a vida só te mostra que tudo que você sabe é completamente errado. E parece que quando você tenta fazer as coisas de um jeito certo todos vão contra você. Eu odeio o modo como as pessoas apontam os seus defeitos na sua cara e te dizem “você não é espontânea como fulana”. Eu odeio como coisas simples se tornam complicadas e como as pessoas são complicadas.

Ás vezes as pessoas me olham como se eu não tivesse problemas reais, como se eu fosse boba ou alguma coisa do tipo. “Sua família é perfeita, seus pais te amam”, sei disso! E não estou menosprezando nem nada, mas minha vida não se resume a minha família, eles não podem estar sempre comigo, não tomam decisões por mim, não vivem por mim. E justamente nos momentos mais difíceis da sua vida, quando você precisa desenterrar a sua coragem e prosseguir é que você vê o quanto se encontra sozinha. Não existe ninguém que possa fazer aquilo por você. O mínimo que seus pais ou amigos ou quem quer que seja pode fazer é  dizer “Boa sorte” antes de você ir e “Eu sinto muito” quando você voltar.

O tempo todo você está com você. Na minha agenda tem uma frase que diz “Não importa onde você vá, você sempre vai estar lá”. É verdade, não há como escapar de você ou pedir divórcio de você. Seus erros, suas escolhas, seus medos, suas inseguranças…Estão em todo lugar. Acho que é por isso que nos sentimos tão sozinhos, é muito peso pra levar, muita coisa pra dar conta.

Eu me lembro de uma vez quando eu era criança ter dito ao meu pai que o mundo tinha gente demais, que se só existisse uma pessoa no mundo, ela seria totalmente feliz. Meu pai só olhou pra mim com uma cara enigmática e disse “Será que seria mesmo?”. Eu fiquei pensando naquilo depois e descobri que a pessoa morreria de solidão. Agora, depois de muitos anos, tenho uma idéia diferente: o ideal não seria existir uma só pessoa no mundo, o ideal seria não existir nenhuma.

What ever happened? – The Strokes

“If I could be who you wanted”

19 jul

É, eu realmente cansei de tudo aquilo. Sim, estou falando daquela porcaria do orkut. O meu anda me irritando muito ultimamente, estou com vontade de remover todas as fotos, excluir todas as pessoas, deletar tudo. Porque na verdade o orkut é uma grande porcaria que as pessoas acham que precisam, mas não precisam.

O que aconteceria se acabassem com o orkut? Nada. Ok,  mandar scraps as vezes é mais rápido e até mesmo importante, mas não é fundamental, e-mails existem com essa mesma finalidade. Sei que devo algumas coisas ao orkut, alguns envolvimentos que tive  só aconteceram porque ele existia, mas isso só tornou tudo mais falso. Não se pode conhecer ninguém pelo orkut, lá as pessoas são o que querem, se comportam como querem. Fingem. E isso equivale a maioria dos meios de comunicação virtuais.

As vezes você conhece uma pessoa e pensa “olha, fulano é gente boa”, daí a pessoa te adiciona no orkut e você percebe que a mente dela  é totalmente doente. Eu me pergunto o que levaria uma pessoa a querer se mostrar tanto em um site de relacionamento. As meninas colocam imensos decotes, tiram fotos de mini saia e de biquini, fazem poses sensuais não condizentes com a idade que possuem. Os meninos tiram fotos sem camisa, tentando criar um efeito provocante. Isso pra mim se chama auto-afirmação. Os jovens usam o orkut pra se sentirem incluídos, para se sentirem belos e legais. Mas pra mim ser belo e legal não é agir dessa forma.

Meu orkut é muito sem graça. Já tive uma fase de colocar um álbum com fotos minhas, mas agora não consigo nem ao menos colocar uma foto minha sozinha. Sinto como se as pessoas estivessem reparando em mim, como se eu estivesse me vendendo. Uma foto de uma pessoa sozinha fazendo aquela cara insinuante transmite a mensagem de “tá vendo, eu sou gostosa(o)”, acho que por isso a maioria até dispensa a legenda. Eu não quero que as pessoas pensem assim de mim, não quero ser um objeto. Mas o pior é se sentir excluída porque todo mundo é um objeto e você não. Fazer o que né? O que eu sei é que não posso ser diferente, seria ir contra minha essência, ainda acho que o meu posicionamento é  correto.

Então, que seja dessa forma. Todo mundo age como idiota e eu é que acabo me sentindo como idiota por não ter atitudes idiotas. Droga, isso nem faz sentido. E isso vai indo, até o dia em que eu verdadeiramente canse do meu orkut e resolva tomar uma medida mais drástica.

Fake Plastic Trees – Radiohead

“Pra se perder no abismo que é pensar e sentir”

24 maio

Hoje cheguei em casa com uma vontade desesperada de comer doce. Mas como era de se esperar não tinha nada em casa que pudesse saciar a minha sede por glicose. Só encontrei um último biscoito de morango no pacote. Foi realmente deprimente. Mas a questão é : porque comer doce parece amenizar o amargo em nossas vidas?

Eu sei, é complicado responder isso. Mas acho que é uma questão de querer contrabalancear. Não, não estou falando de contrabalancear doce e amargo, mas de contrabalancear uma coisa ruim com uma coisa que te deixa feliz. É como buscar um momento de felicidade, como procurar no doce uma coisa que você não encontra na sua vida. É um simples mecanismo de recompensa, você pensa “Ah, hoje estou triste. Mereço um doce.”, é como consolar a si mesmo. E nós fazemos isso não só com comida, mas com várias outras coisas, é um hábito que vicia.

Analisando agora os motivos da minha busca por açúcar, estive pensando: porque as coisas precisam ser construídas sendo que vão ser desconstruídas depois? Acho que é uma coisa a se pensar. Tudo estraga, se desgasta. Tudo tem um prazo de validade. Droga, as coisas tinham que durar mais tempo.

Até o nosso planeta tem um prazo de validade, o sol e até mesmo o universo. Sim, existe uma teoria de que o universo é finito e que um dia a sua velocidade de expansão vai se tornar nula, fazendo com que ele comece a se contrair até sofrer uma implosão, como um “Big Bang” ao contrário. Pois é, eu sei, é meio chocante isso.

Assim, tudo um dia acaba. É como nossa própria vida: nascemos, crescemos, estudamos, nos matamos de estudar, trabalhamos, nos matamos de trabalhar, trabalhamos mais um pouco, ganhamos uma quantidade de dinheiro que nunca julgaremos ser suficiente, compramos variedades de produtos que também nunca vão parecer suficientes, talvez tenhamos filhos e faremos o possível para dar a eles coisas que eles nunca vão achar suficientes, envelhecemos achando que nossa vida não suficientemente boa e depois morremos.

Tudo construído em vão. Tempo desperdiçado. O universo não para por nós, ele não precisa de nós pra continuar. Li isso em algum lugar…É exatamente isso: a natureza não para por nós, nada depende da nossa existência. É como viver sem sentido. Não existe finalidade para nós. Aprender? Sim, mas é tão complicado aprender quando se tem que modificar a si mesmo…

Sentimental – Los Hermanos