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“Ever and always. Always and ever.”

10 out

Descobri que algumas coisas dependem do seu ponto de vista. Visão é uma coisa fundamental em qualquer questão. E logo eu, tão egocêntrica, sempre limitada nas minhas próprias interpretações, nos meus próprios pensamentos…Supreendo-me quando alguém me apresenta o outro lado das coisas, novos aspectos, novas idéias.

E ao experimentar viver um pouco fora de mim, tentando ter uma visão nova, me pego agora adepta ao que critiquei. Sou agora a ilustração de uma contradição clássica: o que faço se tornou diferente do que digo. E eu que tantas vezes tentei fugir disso…Mas sinto-me feliz, apesar desse desconforto mental causado por mais uma crise de identidade que se gerou.

O problema é que percebi o quanto minhas idéias não são inatas, percebi quanto dos outros existe em mim e não sei até que ponto posso me libertar disso. Por esses dias, aprendi que ninguém tem personalidade pronta, nem idéia fundamentada, a gente vai construindo isso é com o tempo. Mudar de opinião é normal, o que é difícil é as pessoas se acostumarem com essa mudança.

Acho que nunca sofri nenhuma intervenção no meu caráter ou na minha personalidade, mas já sofri muitas influências. Existem momentos em que me encontrei exposta e sem nenhum conhecido por perto, e foi aí que descobri que eles estavam todos lá – os conhecidos- na minha cabeça, como se eu fosse um ser incompleto, como se fosse feita de fragmentos de idéias de outras pessoas.

Percebi que as influências nunca te abandonam, estão em todas as suas ações, te induzem e te perturbam. Além de que, muitas vezes, podem te levar ao erro, a negar o que você quer, a ir contra você. E é péssimo ver como você não reage, você simplesmente se ignora, se anula pra seguir o que os outros disseram, para ser quem eles querem que você seja. Então você descobre que perde tudo sendo assim, perde o melhor de tudo: experimentar e viver. Não há nada melhor que ter suas próprias experiências, ninguém pode viver nada por você.

Não existe coisa melhor do que sentir. Sejam sentimentos ou sejam sensações, não vejo como estar mais ligada comigo mesma. É uma coisa tão íntima e tão pessoal, ninguém nunca vai saber como é o jeito de sentir de ninguém. Assim como ninguém nunca saberá como é a sua percepção das coisas, aqueles detalhes que só você observa, aquelas sensações sem nome que você sabe exatamente quando vão surgir.

Foi dessa forma que descobri meu amor próprio. Foi por descobrir que ninguém nunca vai me compreender como eu mesma, que nunca vão sentir como eu sinto. Então descobri que me amo porque posso compartilhar tudo que vivo comigo. E sei que poderei me entregar, mergulhar de ponta cabeça, quebrar a cara e que conseguirei me perdoar depois. Eu sempre serei a única capaz de me perdoar pelo mal que fiz a mim mesma, pois serei a única capaz de compreender as emoções e sentimentos envoltos.

Once you had Gold – Enya

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“But I still haven’t found what I’m looking for”

14 jul

Nunca fui boa em procurar coisas. Desde pequena. E eu quase nunca consigo encontrar, pra falar a verdade, eu sempre desisto. Procurar parece ser uma das ações mais cansativas do mundo, chega a ser exaustivo.

Segundo o dicionário:

“procurar (pro-cu-rar) v.t.

Diligenciar por encontrar, afadigar-se por descobrir: procurar alguém na multidão.

Tentar conseguir: procurar socorro; procurar uma saída honrosa.

Ser atraído por: o ferro procura o ímã.

Procurar uma pessoa, ir vê-la, ir ter com ela, visitá-la: não procura os irmãos há muito tempo.

Procurar agulha em palheiro, tentar encontrar algo extremamente difícil de achar.”

Sim, eu sei até o próprio dicionário desanima. Mas a descrição é perfeita, procurar é exatamente assim. E parece que toda a vida estamos destinados a procurar. O problema é que eu não sei se também estamos destinados a nunca encontrar aquilo que buscamos.

E o que nós buscamos? É uma ótima pergunta. Eu pensei em dizer paz, mas nem todos buscam isso. Então chego a conclusão de que a procura mais incessante de todos nós é pela felicidade. E até onde eu saiba, ninguém nunca a encontrou por mais de cinco minutos.

Pelo menos é assim que eu vejo. Você quer uma coisa, luta por ela durante muito tempo, mas quando a consegue a felicidade só dura um instante. Foi dessa forma quando eu consegui coisas que eu queria muito, aquela sensação perfeita de que você tem o que quer só dura cinco minutos. Depois disso seu cérebro já começa a distorcer tudo e a inserir pensamentos totalmente destoantes na sua mente.

Então eu penso naquela velha história de que talvez estejamos procurando a felicidade do jeito errado. É, talvez seja isso. Ou talvez não. Whatever. Enquanto isso estamos todos no mesmo caminho: procurando coisas. Coisas que na maioria das vezes não querem serem encontradas, coisas que parecem se esconder cada vez mais. E quanto mais você procura, mais elas se escondem.

Acho que a vida é assim. Uma imensa busca pelo que a gente nem sabe ao certo o que é. E que escolha temos? Só podemos continuar procurando.

But I still haven’t found what I’m looking for – U2