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“Quem me dera poder consertar tudo que eu fiz.”

22 nov

O que está feito, está feito. Não que exista um arrependimento sincero de minha parte, o problema é somente a repercussão das coisas. A sensação é a mesma de uma onda se propagando na água depois que uma pedra foi jogada no lago. A onda atinge grandes proporções, causa uma movimentação danada, vai perdendo força e, depois de algum tempo, ninguém nem vai saber que uma pedra caiu ali.

Acredito que todas as coisas tem seu prazo de vencimento. A gente sempre acaba se cansando de tudo no fim das contas. Quando entrei na aula de dança, gostei tando que achei que dançaria pra sempre, mas agora as aulas me parecem extremamente entediantes. Todo mundo acaba sempre entediado, a gente se enjoa das coisas. E aí ou você decide largá-las ou espera até alguém decidir por você. Infelizmente sempre escolho a segunda opção. Por mais que eu esteja cansada, enjoada e entediada, acabo arrumando um motivo pra não abandonar a situção e simplesmente deixar as coisas irem. Talvez seja por algum tipo de apego que eu sinta pelas coisas às quais me acostumei, ou talvez seja medo de fazer a escolha errada.

Acho que eu sinto demais. Entende o que eu quero dizer? Sou uma pessoa sentimental ao extremo. Sofro demasiadamente por qualquer pedrinha que jogam na minha lagoa. Isso é uma droga. Eu devo sofrer de algum distúrbio, tenho algum transtorno psicológico, de personalidade, sei lá. As coisas demoram a entrar na minha cabeça e, quando entram, demoram a se encaixar e começar a fazer sentido.

Seguindo essa vida minha percebo que dou voltas e voltas, e acabo sempre parando no mesmo ponto: O QUE EU ESTOU FAZENDO? QUE M*RDA É ESSA QUE ESTÁ ACONTECENDO? ONDE É QUE EU FUI ME ENFIAR?

E pra essas perguntas eu tenho aquela boa e velha resposta: Não sei.

Primavera – Los Hermanos

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“Ever and always. Always and ever.”

10 out

Descobri que algumas coisas dependem do seu ponto de vista. Visão é uma coisa fundamental em qualquer questão. E logo eu, tão egocêntrica, sempre limitada nas minhas próprias interpretações, nos meus próprios pensamentos…Supreendo-me quando alguém me apresenta o outro lado das coisas, novos aspectos, novas idéias.

E ao experimentar viver um pouco fora de mim, tentando ter uma visão nova, me pego agora adepta ao que critiquei. Sou agora a ilustração de uma contradição clássica: o que faço se tornou diferente do que digo. E eu que tantas vezes tentei fugir disso…Mas sinto-me feliz, apesar desse desconforto mental causado por mais uma crise de identidade que se gerou.

O problema é que percebi o quanto minhas idéias não são inatas, percebi quanto dos outros existe em mim e não sei até que ponto posso me libertar disso. Por esses dias, aprendi que ninguém tem personalidade pronta, nem idéia fundamentada, a gente vai construindo isso é com o tempo. Mudar de opinião é normal, o que é difícil é as pessoas se acostumarem com essa mudança.

Acho que nunca sofri nenhuma intervenção no meu caráter ou na minha personalidade, mas já sofri muitas influências. Existem momentos em que me encontrei exposta e sem nenhum conhecido por perto, e foi aí que descobri que eles estavam todos lá – os conhecidos- na minha cabeça, como se eu fosse um ser incompleto, como se fosse feita de fragmentos de idéias de outras pessoas.

Percebi que as influências nunca te abandonam, estão em todas as suas ações, te induzem e te perturbam. Além de que, muitas vezes, podem te levar ao erro, a negar o que você quer, a ir contra você. E é péssimo ver como você não reage, você simplesmente se ignora, se anula pra seguir o que os outros disseram, para ser quem eles querem que você seja. Então você descobre que perde tudo sendo assim, perde o melhor de tudo: experimentar e viver. Não há nada melhor que ter suas próprias experiências, ninguém pode viver nada por você.

Não existe coisa melhor do que sentir. Sejam sentimentos ou sejam sensações, não vejo como estar mais ligada comigo mesma. É uma coisa tão íntima e tão pessoal, ninguém nunca vai saber como é o jeito de sentir de ninguém. Assim como ninguém nunca saberá como é a sua percepção das coisas, aqueles detalhes que só você observa, aquelas sensações sem nome que você sabe exatamente quando vão surgir.

Foi dessa forma que descobri meu amor próprio. Foi por descobrir que ninguém nunca vai me compreender como eu mesma, que nunca vão sentir como eu sinto. Então descobri que me amo porque posso compartilhar tudo que vivo comigo. E sei que poderei me entregar, mergulhar de ponta cabeça, quebrar a cara e que conseguirei me perdoar depois. Eu sempre serei a única capaz de me perdoar pelo mal que fiz a mim mesma, pois serei a única capaz de compreender as emoções e sentimentos envoltos.

Once you had Gold – Enya

“Não fala do que eu deveria ser, pra ser alguém mais feliz”

8 set

Sempre tem um monte de coisas nos bolsos das minhas calças jeans. Nem sei porque uso bolsa, acabo sempre colocando tudo na porcaria dos bolsos do jeans. Daí volta e meia encontro prendedores de cabelo, listas de compra e, principalmente, ingressos de cinema. É diversão garantida, vivo encontrando surpresinhas. Toda vez que eu ficar entediada agora vou começar a revirar os bolsos das calças. rs

Hoje eu reparei que os Ipês amarelos desabrocharam. Sempre tem essa época que os Ipês desabrocham, mas eu nunca sei quando é. E hoje fui pega totalmente de surpresa. Fica tudo perfeito, as flores amarelas são lindas. Quando eu era pequena minha cor favorita era amarelo. Fiquei pensando numa coisa: a natureza é perfeita. Quando é que as flores sabem que tem que desabrochar? Os Ipês sempre sabem quando é a hora certa, todos eles desabrocham na mesma época, todos juntos. E porque comigo não é assim? Eu nunca sei a hora certa de fazer as coisas.

A única coisa que eu queria ter feito hoje era não ter descido do ônibus. Se há uma sensação bem interessante é a de andar num ônibus vazio. Eu acho o máximo. Você senta na janela e observa tudo, o mundo inteiro, só que ninguém te vê porque ninguém repara nos ônibus. E você não precisa se preocupar pra onde é que ele vai, porque sabe que ele sempre vai voltar. Sempre acaba voltando pra de onde veio.

E por falar em voltar, nem tudo volta. O que eu mais quero próximo a mim, é o que eu mais acabo afastando. Andei afastando tudo e todos ultimamente. Setembro costumava me trazer coisas boas. Costumava. Eu não queria que fosse assim sabe, não queria mesmo.

As coisas estão sempre no mesmo lugar: fora de onde deviam estar. Não me pergunte como tinha que ser, eu não sei. O que eu sei é que não tinha que ser assim. Eu não tinha que ser assim. Ás vezes mal me reconheço, me pego falando coisas que não devia, pensando em inutilidades, pareço uma neurótica dando surtos por aí. Estou mergulhada em crises e mais crises sem fim. Daí me olho no espelho e vejo o que não era pra ver. Eu mal me enxergo, só sinto raiva.

Se minha vida é o que eu fiz dela, eu não fiz nada do que eu deveria fazer. Talvez eu nem tenha feito nada, por isso vivo eternamente nesse tédio profundo. Mas eu nem quero fazer nada. Nem sei se eu quero mesmo que as coisas mudem, no fundo eu acho que tenho medo. Medo de tudo mudar e depois ficar pior, porque da última vez que as coisas mudaram foi assim.

Não tenho mais nada a que me apegar. Não importa pra ninguém, tanto faz. Parece até que a minha vida não é mais minha, que meus pensamentos não sou eu quem controla. Acho que perdi a vontade própria. Eu sempre estou por aí perdendo um tanto de coisas. Se é que um dia eu já tive alguma coisa pra perder.

Quem sabe – Los Hermanos

“I don’t know where we are going now”

25 jul

Descobri uma coisa legal esses dias: canecas são copos que têm um lugar pra segurar. Isso não é o máximo? Deveríamos usar canecas pra beber todo tipo de coisa, não só coisas quentes. O que eu quero dizer é que não é legal um copo que tem um lugar pra você segurar? Se existem canecas porque nós usamos copos? Eu realmente estou gostando de canecas agora.

Tá, eu não sei porque estou falando disso. Talvez pra tentar ignorar o que eu realmente vim aqui pra escrever. A verdade é que estou pensando em coisas bem diferentes…

É que as coisas são feitas de alguma coisa. Tudo é composto por algum tipo de material e andei pensando se os sentimentos também são compostos de alguma coisa. Por exemplo, existem sentimentos que são frágeis como vidro, e que quando se quebram te cortam como mil pedacinhos afiados. Existem sentimentos que são duros como ferro, e que quanto mais martelam na sua cabeça, mais dói. Outros são tão simples que parecem ser feitos de ar, mas com mesma facilidade que entram em seus pulmões, saem deles rápido demais.

Acho que a maior parte do que eu sinto é feita de vidro. É por tão pouco que me decepciono, que me frustro e me deprimo…É o mesmo que acontece com uma jarra que, por apenas trincar, acaba em pedaços. Mas antes vidro do que ferro, geralmente os sentimentos de vidro só machucam a você mesmo, enquanto que os de ferro acabam por acertar os outros. E nem sempre aqueles que são acertados são os que merecem.

Já chorei pelos meus sentimentos de vidro, que me cortaram profundamente. Já chorei muito por ter sentimentos de ferro, que além de duros eram frios, e me arrependi de ter magoado pessoas com eles. E, por incrível que pareça, já chorei por sentimentos de ar, mas chorei por eles terem acabado tão depressa.

Acho que a felicidade é feita de ar, assim como o amor. A felicidade é calma como a brisa, e infelizmente passa tão rápido quanto ela. Ser feliz de verdade deve ser bom como respirar. Aconchegante como descansar depois de muito esforço. Deve ser aliviante como sorrir, sem gargalhar…Só sorrir.

Dakota- Stereophonics